Informativo técnico sobre o processo de FIV e superovulação de doadoras

ASPIRAÇÃO FOLICULAR (OPU)

Produção de embriões in vitro através da aspiração folicular guiada por ultrassom.

ASPIRAÇÃO DE OÓCITOS

A OPU (ovum pick-up) pode ser aplicada em animais pré-púberes, gestantes até normalmente os 120 dias e finalmente em doadoras vazias. Consiste na aspiração de folículos ovarianos visíveis ao ultrassom. As sessões podem ser realizadas a cada 7 ou 15 dias sem lesão aparente à sobrevida dos animais.

Com um transdutor vaginal contendo uma agulha descartável acoplada a um sistema de vácuo entre 90 e 120 mmHg faz-se a aspiração do folículo visível para dentro de um tubo contendo PBS (Solução Salina Tamponada) adicionado de um anti-coagulante. A manipulação e o posicionamento dos ovários são feitos por um veterinário por palpação retal, estando a doadora contida em brete, asseada na região perineal e sob anestesia epidural.

Drogas para superovulação não são necessárias para a recuperação de oócitos caso a doadora esteja ciclando. Normalmente, a doadora irá apresentar de duas a três ondas de crescimento folicular por ciclo. A média obtida para cada OPU em ambos os ovários é de 20 oócitos (existindo variações individuais e entre raças), ou seja, em condições de serem submetidos ao processamento in vitro.

Após a OPU, os oócitos previamente selecionados e capturados com micropipeta são envasados em criotubos contendo meio próprio de transporte e encaminhados ao laboratório de processamento in vitro.

OVÁRIOS EXTIRPADOS

Produção de embriões in vitro de fêmeas em estádio terminal ou de ovários de abatedouros.

DOADORAS TERMINAIS

Em complemento ao uso do ultrassom na recuperação de oócitos pode-se processar ovários de doadoras que estão prestes a morrer. Os ovários deverão ser perfeitamente identificados (nome da doadora, hora da extração do ovário, data, origem) e colocados imediatamente em solução salina a 35oC.

É bom lembrar que se caso este procedimento possa ser planejado, seria conveniente superestimular a doadora previamente ao abate do animal para aumentar o número de oócitos recuperados. Os ovários deverão chegar ao laboratório dentro de seis a oito horas após sua remoção, em temperatura controlada.

MATURAÇÃO IN VITRO (MIV)

A partir desta etapa, os oócitos são processados no laboratório. Para a indução da maturação in vitro (MIV), que resulta em expansão de células do cumulus e rompimento da vesícula germinativa, os oócitos coletados de cada doadora são depositados em meio próprio de maturação.

O período de maturação ocorre em 24 horas em incubadora com temperatura e umidade estritamente controladas.

FERTILIZAÇÃO IN VITRO (FIV)

Decorrido o período de capacitação espermática, os oócitos maturados são depositados em meio FIV já contendo os espermatozóides. A fertilização in vitro (FIV)decorre durante 15 a 18 horas em incubadora com temperatura e umidade controladas.

É importante ressaltar que as células espermáticas são tão importantes quanto o oócito para a formação do embrião. Antes de se iniciar qualquer trabalho, o sêmen deverá ser previamente testado.

Este teste é feito através da pesquisa da fertilização dos oócitos de ovários de abatedouro no intuito de determinar melhores taxas de fertilização.

CULTIVO IN VITRO (CIV)

Seguindo o processo de fertilização, os supostos zigotos, em número igual à população original de oócitos antes da maturação, ao serem retirados do meio FIV, são colocados em cultivo por sete dias em incubadora com temperatura e umidade controladas.

Para garantir sucesso, as condições no laboratório deverão ser rigorosamente monitoradas. Instrumentação precisa é necessária no intuito de similar condições bioquímicas exatas ao do trato reprodutivo da vaca.

Enquanto o processo de PIVE acontece no laboratório, fêmeas receptoras são sincronizadas para a posterior transferência dos embriões.

O procedimento total da PIVE necessita do completo domínio e expertise dos técnicos envolvidos em todas as facetas desta biotecnologia, utilizando equipamentos de laboratório de última geração.

TRANSFERÊNCIA DE EMBRIÕES (TE)

Os embriões selecionados e retirados do cultivo são envasados individualmente em palhetas 0,25 ml. Cada palheta contendo o embrião é então identificada com o nome da doadora, data da coleta dos oócitos e o touro utilizado na FIV.

As palhetas são transportadas cuidadosamente até a fazenda ou local de TE em temperatura controlada.

As receptoras aptas devem estar previamente sincronizadas e com cio anterior entre 6 a 8 dias da data da TE. Cada receptora é contida em brete, asseada na região perineal e vaginal e anestesiada por via epidural. Os embriões são depositados no corno uterino adjacente ao ovário que contém o corpo lúteo. Por manipulação retal, o veterinário introduz um aplicador contendo a palheta com o embrião, atravessando a cérvix e direcionando e depositando o embrião no corno uterino adequado.

Os animais, após receberem o embrião são mantidos em manejo com alimentação adequada e aguardarão o diagnóstico de gestação.

COLETA E TRANSFERÊNCIA DE EMBRIÕES (TE)

A primeira transferência de embriões (TE) foi realizada em Cambridge, por Heape no ano de 1890 com fêmeas de coelho. Desta data em diante começou a crescer as pesquisas em todas as espécies. Em bovinos está técnica obteve sucesso em 1951 com Willet et al., e chegou ao Brasil no início da década de 60. Nestes últimos cinquenta anos a transferência de embriões teve um importante papel econômico e de multiplicação de animais geneticamente superior.
A transferência de embriões em ruminantes tornou-se rotina e ocupa posição ascendente dentro do setor de comercialização de bovinos, por permitir de forma acelerada, um número maior de progênie de uma doadora considerada superior.

Do mesmo modo que a inseminação artificial maximiza a disseminação dos genes de um reprodutor superior, a TE permite o melhor aproveitamento possível tanto do macho quanto da fêmea.

Atualmente a técnica de transferência de embriões vem sendo amplamente utilizada a fim de formar rebanhos de alta qualidade genética. A proposta é, a partir de uma vaca excepcional, criar uma linha genealógica com as mesmas características da matriz.

A técnica se aplica a animais geneticamente superiores, já que o objetivo é qualidade e não quantidade.

A vaca tem um ciclo reprodutivo a cada 21 dias e, normalmente produz um bezerro ao ano sendo que em sua vida reprodutiva produz, em  média, 10 bezerros. A tecnologia de transferência de embriões consiste em provocar uma superovulação, a partir de aplicações hormonais. Ao invés da vaca ter uma ovulação, ela terá várias ovulações, entrará em cio, será inseminada e, após sete dias, serão coletados os embriões. 
A partir da coleta estes embriões serão avaliados para serem transferidos ou congelados. Na transferência, ou inovulação, os embriões são depositados no útero de receptoras previamente selecionadas e com boa habilidade materna. No congelamento, os embriões são criopreservados a uma temperatura de 35ºC negativos e são mantidos em nitrogênio líquido a menos 196ºC da mesma forma que se mantém o sêmen.